Não Há Terra Prometida - 14/08/2011

Apenas mais uma barriga flácida, velha e mal iluminada pela lâmpada amarela do banheiro; Imagem que não cabe no espelho manchado.


Nem sombra do garoto brilhante que todos achavam que seria veado. Só lhe sobrou uma garagem mofada, um banheiro cheirando a virilha e uma renda mixa que teimava em pingar todos os meses como torneira espanada.


O mundo lá fora era a perfeita cópia do intervalo da novela... Melhor que ficasse sem som mesmo. O tempo passava e a aranha tecia, as formigas perfilavam-se e o cigarro nem sequer queimava por igual.


E ele assobiava e ele escrevia e ele gritava. E suas mãos tremiam e o café esfriava e as baratas sorriam para as sobras das inúmeras madrugadas. E ele rimava e ele rimava e ele rimava.


E ele imitava e ele sorvia e ele errava...


Ah como ele errava...

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