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TRIUMVIRATUS

Autorretratos organizados por temas referentes a práticas sociais que se perpetuam ao longo do tempo de forma a se incrustar em nossa fisiologia estabelecendo hábitos, comportamentos morais e normas éticas. As imagens propõem uma discussão acerca da fé, do trabalho, da psique, da hereditariedade e da família.

 

Eleger o próprio corpo como suporte para as reflexões supracitadas nasce do incômodo de imputar ao outro o peso de meus próprios horrores. Talvez haja uma espécie de tensão complementar entre a vaidade e a necessidade de ser intérprete das minhas próprias ideias. Quase um psicodrama em linguagem fotográfica uma vez que o autorretrato é um meio que frequentemente traz à tona questões que habitam nossas profundezas.

 

Uma imersão no universo imagético, fragmentado e subjetivo das relações familiares e suas idiossincrasias, do trabalho como norte e meta de realização, da fé enquanto justificativa de nossos atos e do papel disruptivo que o pensar por si assumiu na contemporaneidade.

 

A opção pela estrutura em trípticos — tradicionalmente vinculada à pintura sacra e aos retábulos medievais — apesar de ressignificada enquanto dispositivo expográfico, me permite explorar a simultaneidade de planos e a multiplicidade de narrativas. Um trânsito entre o documental e o ficcional.

 

Formalmente, os cinco conjuntos de imagens dialogam entre si através de seus contrastes e de uma abordagem que propõe a figura humana como veículo para as discussões propostas.

GENUFLEXÓRIO

A epítome da abnegação religiosa e sacrifício é a imagem do ser humano de joelhos. Das longas escadarias que ralaram muitos joelhos em nome das promessas pagas até os cantos das salas de aula com seus punhados de milho. Do fervor das orações do mais temente a Deus até as felações mais voluptuosas e cinematográficas.

 

O genuflexório é um mobiliário que esteve muito presente em minha juventude uma vez que estudei grande parte da minha vida em colégio católico. É uma pequena estante de madeira presente na parte inferior do assento em igrejas. Sua função é fornecer algum conforto para a pessoa que se mantém durante longos períodos ajoelhada em oração.

"Genuflexório I, II e III"

48,3 X 32,9 cm

Fotografia

2024

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DEUS EX MACHINA

O termo Deus ex machina surgiu no teatro grego quando muitas peças terminavam com a aparição de um ser divino que içado por uma espécie de guindaste surgia para resolver impasses no roteiro da trama encenada.

Pode ser que a complexidade do mundo e a fragilidade da existência nos faça almejar por salvadores da pátria e soluções milagrosas para nossos problemas. Mas, não seria a tentativa de justificar nossos vícios e virtudes depositando quase tudo na conta de uma suposta natureza humana, também uma solução Deus ex machina?

 

O quanto de nossas ideologias, métricas com relação ao que entendemos por sucesso e fracasso, com a estética, ou mesmo no que se diz respeito a concepções éticas, morais e religiosas são fetichizadas por soluções que de tão mágicas e simplistas sequer fazem sentido?

"Deus Ex Machina I, II e III"

48,3 X 32,9 cm

Fotografia

2023

As Joias da Familia

O trabalho teve início em julho de 2020 em meio à pandemia de corona vírus (COVID-19) e parte de uma reflexão acerca do universo familiar e suas complexas relações, tradições e idiossincrasias.

Os retratos nasceram do desejo de investigar mais a fundo uma hereditariedade que além de biológica, é também fruto de vários emaranhados socioculturais que acabam por forjar as nossas atitudes, comportamentos e visões de mundo de forma profunda e muitas vezes indecifrável.

Podemos definir tradição como o ato de transmitir de geração em geração, histórias, lendas, ritos, costumes, valores culturais, morais e espirituais através de diversos meios. Quanto carregamos do nosso passado? Estamos fadados a repetir ciclicamente versões atualizadas e contextualizadas de nossos anteriores? Quais foram às heranças deixadas pelos nossos? Quais itens deste espólio genuinamente nos pertencem?

"As Joias da Família I, II e III"

53,5 X 36,5 cm

Fotografia

2020

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PESSOAS DA SALA DE JANTAR

A obra propõe uma reflexão acerca da pauta “costumes” que ocupa grande parte do imaginário e das narrativas de inúmeras lideranças das mais variadas ideologias que ao longo da história foram determinantes para muitas mudanças na sociedade.

 

Faz alusão à música de Caetano Veloso e Gilberto Gil “Panis et Circensis”, gravada em 1968 pelo grupo “Mutantes”, que pode ser interpretada como uma crítica aos valores sociais de uma época na qual transformações aspiradas pelo novo contrapunham-se a um status quo representado pela estagnação, alienação e massificação.

"Pessoas da Sala de Jantar I, II e III"

53,5 X 36,5 cm

Fotografia

2021

OS ESTÁGIOS DO EU

O que proponho com estes autorretratos são possíveis leituras sobre minha própria psique. A tensão existente entre o ID, o Ego e o Superego se apresenta neste tríptico em três alegorias: Nó Górdio, Porta do Inferno e Psicostasia .​

53,5 X 36,5 cm

Fotografia

2022

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