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FOTOGRAFIA DOCUMENTAL

Documentar o mundo à minha volta, mais do que uma prática artística é meio para organizar e pensar outros trabalhos e processos. Ao longo dos anos venho colecionando formas de munir as minhas criações através das mais diversas fontes: cinema, design, teatro, cultura pop, política, filosofia, religião, mesas de bar, papos febris e assim por diante. O que acontece é que quando sua práxis possui tantas e variadas vertentes, organizar as ideias pode ser algo mais complexo do que o esperado.

 

Encontrar caminhos estéticos para documentar aquilo que interessa me causa uma sensação de organizar, limpar e catalogar as ideias. Não sei ao certo o porquê disso, mas diferente de outras linguagens artísticas, toda vez que saio para fotografar, volto mais centrado, menos disperso e com a sensação de que a “casa está mais em ordem”. Principalmente quando estou trabalhando em outras mídias que não a fotografia e o projeto a ser desenvolvido começa com o conceito e não com a imagem. 

 

Existe uma sensação de agilidade quando as escolhas que fazemos com relação ao método de fotografar se materializam já no próximo clique (para o  bem e para o mal). Questões como andar, procurar e ir atrás da foto, ou esperar por horas em um local e deixar que as oportunidades se apresentem diante dos seus olhos; fotografar com foco nas linhas da cidade, ou deixá-las como cenário para as narrativas pretendidas; escolher um único tema a ser fotografado naquela saída, ou simplesmente ir fotografando a esmo; colocar sua prática em função do clima, ou de um horário. Todas estas decisões, acertadas, ou não, reverberam de forma muito positiva e fazem um contraponto curioso quando estou trabalhando em projetos que exigem mais etapas, tempos de secagem, escolhas de materiais, ou quando preciso alinhavar aquilo que pretendo comunicar visualmente.    

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