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RETRATOS

Acredito que um retrato pode ser o caminho mais curto para si e para o outro. É uma maneira de competirmos com a ação do tempo; Pode ser uma ode à memória, um suporte para inúmeras narrativas, um espelho para nossas vaidades e uma fachada para nossas perversões.

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É de conhecimento geral as questões acerca desta modalidade artística já que esta prática nos acompanha desde o alvorecer da espécie. Acredito que para um retrato funcionar minimamente tem que haver uma colaboração entre os envolvidos. Esta colaboração não precisa ser necessariamente amistosa. Muitas vezes é na tensão entre fotógrafo e retratado que mora a “mágica” que tanto buscamos. É muito subjetivo.

  

Quando fotografo alguém, procuro ir além do encontro. O retrato é um recorte daquela pessoa. Penso que ao nos depararmos com uma câmera, pronta para nos ler, nos revelar e despir, muitas vezes acabamos por acionar em nós um processo de fragmentação psicológica. Quase como se utilizássemos heterônimos para nos proteger de uma “imagem verdadeira” que nem sequer sabemos se existe.

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“I’m looking for the unexpected. I’m looking for things I’ve never seen before”.

Robert Mapplethorpe

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